segunda, 17 de fevereiro de 2020

GERAL

Garimpeiros e donos de dragas invadem a APA do Rio Madeira

21/01/20 07:00

Porto Velho, RO – Apesar de ser proibida, a garimpagem de ouro em área de Proteção Ambiental, conhecida como APA, surge uma nova área de busca do ouro nas margens e leito do rio Madeira. 2019 bateu o recorde de invasões encabeçadas por garimpeiros, porém os números ainda não foram divulgados pela Secretaria do Desenvolvimento Ambiental (SEDAM) nem por cooperativas que tiveram seus cooperados presos pela Policia Federal através de operações.

 Só dentro da Área de Proteção Ambiental (APA) Rio Madeira, a montante da ponte sobre o Rio Madeira, ao menos 30 dragas foram apreendidas e 60 garimpeiros presos pelo Batalhão Ambiental durante Operação da Polícia Federal. Porém, segundo dados de Organizações Não-Governamentais (ONGs), ‘a maioria pagaram fiança e logo foram soltos’. `

Na APA Rio Madeira a atividade garimpeira passou a ser proibida ainda no governo Oswaldo Piana, quando as extrações ilegais atingiram níveis alarmantes e puseram em risco à segurança da navegação na região. Inclusive, com o registro elevado de mortes entre garimpeiros. Além da visível poluição do Rio Madeira por metais pesados, entre os quais, o Mercúrio.

Afora os governos Piana e José de Abreu Bianco, foi na gestão de Ivo Cassol e Confúcio Aires Moura que os garimpos ilegais atingiram o ‘boom’ das extrações, não só ao longo do Rio Madeira, mas em todo o Estado, como nos rios Machado, Roosevelt e na Floresta Nacional Bom Futuro, onde os garimpos de cassiterita funcionaram sem controle, atestou ex-dirigente de uma cooperativa local.

– Garimpo ilegal existe em todos os pontos do País e em Rondônia não seria diferente, apontou a mesma fonte.

Segundo relatos repassados a este site de notícias, as áreas de proteção ambiental no entorno da Capital rondoniense sempre despertou a cobiça de garimpeiros e aventureiros. ‘Com a construção das usinas de Jirau e Santo Antônio, o ouro ficou represado nos aluviões’. À medida que as comportas são abertas, ele desceria até a ponte sobre o Rio Madeira’, aponta um dragueiro de pré-nome Aldery após livrar-se das garras da Polícia Federal durante a realização da Operação Eldorado, em 2012.

Por sua conta e risco, donos de dragas e pequenas balsas (tipo escarifuça), muitos dos quais detidos e presos nas operações da Polícia Federal, na ânsia de ‘bamburrarem’ em áreas de proteção ambiental, voltam a reincidir nos mesmos crimes, pelos quais, muitos já respondem na Justiça, com destaque por usurpação de bens da União, porte ilegal de armas e munições. Além de associação criminosa ligada ao narcotráfico.

De acordo com um engenheiro civil que veio de Tabatinga (AM), que trabalhou no antigo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) – que não terá a identidade revelada -, ‘a fiscalização não cobre todas as denúncias de ocorrências de garimpagem ilegal’. Segundo ele, ‘é humanamente impossível, sem a ajuda da Polícia Federal e da Força Nacional de Segurança, conter o avanço dos garimpos ilegais’.

O roubo de minério, como o de madeiras extraídas ilegalmente de reservas extrativistas na Amazônia, ‘só vai parar se os grandes financiadores forem postos na cadeia, e não apenas prenderem arraias-miúdas’, ponderou um geólogo que serviu no antigo DNPM do Amazonas.

As operações, Aluvião e Tiradentes realizadas com apoio do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) e da Polícia Federal, respectivamente, contra os garimpos ilegais ao longo de áreas de proteção ambiental, não conseguiram frear as atividades garimpeiras na região. De lá para cá, as invasões, a partir da ponte sobre o Rio Madeira, mais que dobrou.

Por causa da fragilidade da fiscalização, tanto no âmbito estadual quanto no âmbito Federal, ‘a mineração de ouro em pequena escala nas encostas e no leito do Rio Madeira só tem aumentado ano após ano’. Na atual crise econômica global, a corrida pelo ouro tem aumentado com particular intensidade na APA do Rio Madeira,       reconhece um agente estadual que pediu sigilo da sua identidade revelada.

Instado pela Reportagem de o CORREIO DE NOTÍCIA, um agente da SEDAM revelou que, ‘as operações de combate ao desmatamento, extração ilegal de madeira e minérios continuam suspensas por falta recursos financeiros para o pagamento de diárias dos servidores’, o que leva a crê que novas operações estariam previstas só para o mês que vem.

– Sem fiscalização, o avanço da garimpagem ilegal no Rio Madeira deve aumentar, consequentemente os danos ambientais, aduziu o agente anônimo do órgão ambiental.

Segundo ele, o Rio Madeira por ser binacional, muitas das denúncias só poderão ser apuradas pela Policia Federal, em todavia, a garimpagem no Rio Madeira, mesmo fora da Área de Proteção Ambiental (APA), chegou a ser proibida pela Justiça Federal no trecho compreendido entre Porto Velho e o Estado do Amazonas, mas, que não sabia informar se essa medida ainda estaria valendo no governo do Presidente Jair Bolsonaro, lembrou a fonte.

Fonte

Por Xico Nery   



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