terça, 21 de janeiro de 2020

GERAL

Complexo ferroviário será transformado em shopping-center

08/12/19 22:44

Porto Velho, RO – Não é de hoje que os furtos de peças do Complexo Ferroviário da Estrada de Ferro Madeira Mamoré vêm acontecendo, segundo ex-funcionários da Ferrovia. Os furtos sob o olhar complacente das autoridades rondonienses e nacionais, sobretudo das Curadorias do Meio Ambiente vem acontecendo a anos, disse.

Apesar da cobiça estar em último lugar na lista dos dez Mandamentos, observa-se que, ela está também contida em todos os outros mandamentos. De acordo com relatos de antigos funcionários da estrada de Ferro Madeira Mamoré, a cobiça de velhos conhecidos da sociedade local, entre os quais, se destacam antigos gestores de museus, escritores, pesquisadores e trabalhadores da centenária ‘Ferrovia do Diabo’, nem mesmo os trilhos escaparam dos furtos. Do conjunto que forma o antigo acervo, das peças roubadas, constam trilhos, sinos, luminárias, postes telefônicos e lustres. Além de livros com teor histórico.

Em reportagem da Agência Folha, de autoria de André Muggiati, a partir da cidade de Manaus (AM), ‘os trilhos da Estrada de Ferro Madeira Mamoré, grande parte foram furtados e usados para fazer alicerces de casas e prédios em Rondônia’, afirmaram antigos dirigentes da Fundação Cultural do Estado (FUNCER), à época.

Em uma breve pesquisa deste site de notícias, atestamos que, a construção da ferrovia foi resultado do Acordo de Petrópolis, de 1903. Segundo o acordo, ‘o Brasil construiu a ferrovia em troca do território do atual Estado do Acre’ cujo o País tinha a necessidade de escoar a produção de borracha para os grandes centros, Manaus/Amazonas – e Belém do Pará.

Amante e defensor da cultura e do patrimônio ferroviário, o arquiteto Luís Leite de Oliveira, em breve fará o lançamento de um livro, que pretende contar com detalhes, além de relatórios com conteúdo histórico e científico que testemunhara a história da Ferrovia até os dias atuais. Ele não fala sobre o assunto, porém, este site obteve essa informação ante aos setores acadêmicos independentes locais.

De volta a questão do espaço ao redor do Complexo Ferroviário em meio ao polêmico projeto de revitalização idealizado pela Prefeitura de Porto Velho, tem tido grande repercussão nos últimos dias. Atualmente, as discussões em relação a instalação de um suposto shopping-center, uma cópia similar das Docas do Pará que contraria Lei do Tombamento que proíbe construções em bens tombados, autoridades porto-velhenses vem desrespeito e permitindo alterações das características originarias do Complexo da ferrovia’.

Além do furto de peças, a destruição de galpões e armazéns que futuramente darão lugar a bares, lanchonetes e lojas de souvenirs a serem expostas ao público, logo após a conclusão das obras de revitalização idealizadas pelo prefeito Hildon Chaves  – que contaria com o aval do IPHAN (Instituto Nacional do Patrimônio Histórico Nacional) e mediação das Curadorias do Meio Ambiente. Entretanto, o Complexo Ferroviário vem sendo comprado às estações das Docas do Pará, que a época foram construídas para embarque e desembarque de barcos e navios’, apontam críticos do projeto.

Inaugurada em 1912, a estrada de ferro Madeira Mamoré ligava a Capital rondoniense  à cidade de Guajará-Mirim, na fronteira de Rondônia com a Bolívia, desde  então, segundo historiadores independentes, desativada para uso comercial no século passado em seus 366 quilômetros, foi desmontada para dar lugar às usinas de Jirau e Santo Antônio – além da imensurável perda da Cachoeira de Santo Antônio, Hospital e Cemitério  da Candelária.

Em situação atual, além de tudo que foi informado ao Ministério da Cultura, pelo então presidente da Fundação Cultural do Estado (antiga FUNCER), o ex-professor, vereador e deputado constituinte Amizael Silva, já naquela época, ‘denunciava o desaparecimento da Ferrovia Madeira Mamoré, isso teria começado a partir de 1973, com furtos de peças históricas e trilhos em grande quantidade’, lembra Luís Leite, Presidente da Associação de Amigos da Madeira Mamoré (AMMA).

Autor constituinte da Lei 264/89, que oficializou o tombamento da ferrovia, Amizael Silva, à época, levantou os custos para as obras de revitalização da Madeira Mamoré e já constatava que parte do grande furto de trilhos era feita por donos de empresas da construção civil. Segundo ele, ‘O uso dos trilhos de aço usados para alicerces diminuiria muito o custo das obras’, uma vez que foi constatado a falta de uma grande quantidade de trilhos.

Na próxima semana, o arquiteto Luís Leite, concederá entrevista a este site de notícias a respeito da situação atual em que se encontra a Estrada de Ferro Madeira Mamoré (EFMM), e sobre o processo histórico que envolve todo o Complexo Ferroviário, Vila Ferroviária, além do trajeto da ferrovia, Porto Velho à cidade de Guajará-Mirim, na fronteira bi-nacional Brasil/Bolívia.

Leite é Presidente da AMMA (Associação de Amigos da Madeira Mamoré).

 

Fonte

da Redação/CNR | Por Xico Nery



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LESA PATRIA – Porque os filhos de Rondônia e lembradores da memoria silenciam? Nada fazem para impedir… Essa traição e crime, tem nomes a, chamada ditadura, não destruiu,,, fez o que mandaram.. apenas paralisaram a EFMM…Tem uma organização criminosa que pratica esse CRIME DE LESA PATRIA A sociedade Brasileira vai se mobilizar; contra esses criminosos não vão para impunidade e sim…para cadeia…Tudo foi manipulado para que as leis fossem adulteradas e tombamentos e constituição de Rondônia..o cérebro.veio de Tabatinga.. devolveu o emprego de volta.. e…e…..A vagabundagem, ganhou fólego…emprego seguros, novos e seguros por “concurso”. O banditismo impera na minha terra…nos… Read more »

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