sábado, 29 de fevereiro de 2020

Para ingressar no mundo do criador de “O Senhor dos Anéis”

08/01/20 10:30

Quem não leu os livros, viu os filmes ou pelo mesmo ouviu falar de “O Hobbit” (1937) e “Senhor dos Anéis” (1954), referências da literatura fantástica criadas pelo britânico, nascido na atual África do Sul, John Ronald Reuel Tolkien (J. R. R. Tolkien)? Se você quer conhecer algo dos anos de formação desse criador de um mundo paralelo mitológico que se tornou um mito em si mesmo, veja “Tolkien”.

O filme, dirigido por Dome Karukoski, foca a participação dele num clube literário de jovens inglês convocados para participar da Primeira Guerra, a atuação dele no conflito e a descoberta de seu grande amor, Edith, em uma bela e breve atuação de Lily Collins. Todos esses fatos são, de uma maneira ou de outra, amarrados com a maneira como o escritor deu vida a suas simbólicas sagas.

A obra dá algumas pistas para entender como Tolkien teve suas criações traduzidas para mais de 50 idiomas, vendendo mais de 200 milhões de cópias. Entre essas pistas, está a participação do jovem na Batalha do Somme, que ocorreu durante 140 dias em 1916, envolvendo mais de três milhões de soldados, com quase um milhão de pessoas mortas ou feridas.

Isso resultou no avanço de apenas 10 km das forças britânicas e francesas no nordeste da França, então ocupada pela Alemanha. Tantas mortes por um resultado tão pouco expressivo pode ter sido decisivo na forma como Tolken encarou o mundo. Além disso, o escritor perdeu dois grandes amigos no conflito e um terceiro nunca se recuperou totalmente da carnificina.

É muito provável que toda essa dinâmica tenha contribuído para que os bastidores da luta pelo poder tenham permeado a forma como o filólogo via o mundo. Órfão desde cedo, ele também precisou de muito esforço para conseguir uma bolsa para estudar em Oxford, onde acabou se tornando professor.

Esses exemplos de necessidade de superação contínua para vencer distintos desafios certamente integram o universo mental do criador de uma caminhada literária marcada, como é muito conhecido, pelo perfeccionismo, já que Tolkien reescrevia bastante até que considerasse ter chegado à forma final. Por tudo isso, o filme é uma válida maneira de introdução na biografia do idealizador de um mundo fascinante, rico e misterioso, de muito mito e simbologia.

Oscar D’Ambrosio*

  • Por Oscar D’Ambrosio*

*Oscar D’Ambrosio é jornalista pela USP, mestre em Artes Visuais pela Unesp, graduado em Letras (Português e Inglês) e doutor em Educação, Arte e História da Cultura pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e Gerente de Comunicação e Marketing da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.



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