segunda, 17 de fevereiro de 2020

Incapacidade pode levar o Estado a falência

14/01/20 11:32

Por Edilson Neves*

A inoperância do chefe da Casa Civil de Rondônia, Júnior Gonçalves, parece não ter limites. Deputados da base governista, no final do ano passado, não aceitaram aprovar o projeto que permitiria ao governo tomar 30 milhões de dólares emprestados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). O governador Marcos Rocha (PSL) contava com essa grana para conseguir desenvolver alguns trabalhos neste ano. No ano passado ele trabalhou pouco.

Votação

Os deputados governistas aprovaram a tomada de empréstimo em primeira votação e em seguida se retiraram do plenário. Júnior Gonçalves estava na Assembleia Legislativa, mas os parlamentares nem ligaram para isso. Os deputados governistas toparam participar de uma sessão no dia seguinte, desde que o projeto fosse retirado.

Moral

O governador deve questionar a competência de Júnior Gonçalves para ocupar o cargo de chefe da Casa Civil. Ele distribuiu uma grande quantidade de cargos para alguns deputados, atraindo-os para a base governista, mas na hora que precisa de votos, não consegue. Não seria melhor colocar alguém mais habilidoso, que desse menos cargos em troca de melhores resultados?

Tem corrupção

Marcos Rocha vem com a prosopopeia para acalentar bovinos, a famosa conversa para boi dormir, dizendo que não tem corrupção em seu governo. É claro que tem. O gerente de obras da Seduc, engenheiro Ronaldo Scorza Gonçalves foi exonerado recentemente, em meio a uma investigação conduzida pela Polícia Civil. Ele é acusado de direcionar licitações. O engenheiro é acusado de se dirigir a escolas e coagir diretores para que uma empresa de um “amigo” ganhasse as obras. Por isso, foi mandado embora.

Roubo

A Seduc empenhou no final do ano passado 10 milhões de reais, em 20 dias, para aumentar a altura dos muros das escolas de Porto Velho. Não houve análise de solo para o dimensionamento da fundação. Os muros ficaram com quatro metros e não se sabe se os alicerces suportarão a carga. Podem cair na cabeça de alguns alunos. Uma única empresa ganhou a maior parte das obras: a empresa do amigo do Ronaldo. Mas teve alguns diretores de escola que se rebelaram e o mandaram comer capim.

Uirandê

O desvio de dinheiro no governo Marcos Rocha está claro, pois não havia necessidade de aumentar os muros. É bom lembrar que o ex-gerente da Seduc, Ronaldo Scorza Gonçalves, é o mesmo engenheiro responsável pelo projeto do prédio do empresário Uirandê Castro, dono do Aquárius Selva Hotel. O prédio inclinou e quase caiu. Ronaldo foi preso, à época. Para quem quase causou a derrubada de um prédio na cabeça de populares, derrubar muros em cima de crianças é café pequeno. Foi esse o engenheiro que a equipe de Marcos Rocha colocou para cuidar da construção e reformas de escolas em Rondônia.

Cabide de emprego

É bom lembrar que o engenheiro Ronaldo Scorza Gonçalves é ex-cunhado do secretário da Seduc, Suamy Vivecananda. Ele foi casado com a atual diretora pedagógica do Idep, uma autarquia vinculada à Seduc, Eline Silva Costa. Isso, significa que o secretário Suamy colocou a família para trabalhar na Seduc, debaixo da curta barba de Júnior Gonçalves. Isso indica que o chefe da Casa Civil não sabe o que se passa embaixo de seu nariz. A Seduc deixou de ser um órgão transparente para ser “traz parentes”.

Se ferrou

O ex-cunhado do Suamy foi exonerado exatamente depois de a Seduc encaminhar 330 mil reais para o Idep reformar o Instituto Abaitará. Ronaldo foi com a ex-mulher, “acompanhou” a licitação e o “amigo” dele ganhou. A investigação já existia, mas então a Polícia Civil foi pra cima. Avisou o governador e as providências foram tomadas.

Quadrilha

Marcos Rocha, que muitas vezes aparenta estar com sonolento, deve ter acordado para o que acontece na Seduc. Mas onde estava Júnior Gonçalves que não viu a roubalheira e a falta de competência? O secretário coloca no setor de obras o ex-cunhado, preso por quase derrubar um prédio, e o chefe da Casa Civil não percebe. O cidadão vai às escolas, pressiona diretores para direcionar obras e ele não fica sabendo. Parece que quem nasceu para ser Júnior jamais terá competência para ocupar cargos direcionados a gente sênior.

Capacidade

Todo empreendedor tem por objetivo transformar seu empreendimento em um negócio próspero e competitivo. No entanto, para que isso se torne realidade é necessário criatividade, capacidade de se reinventar, inovação, determinação, além de muita capacidade, esforços diário e muito comprometimento são apenas algumas das características citadas para ser um empreendedor bem sucedido. Sem falar numa comunicação assertiva e um trabalho em equipe.

Falência

Na falta desses elementos, as chances de começar enfrentar problemas graves no futuro aumentam consideravelmente, gerando uma série de danos irreversíveis, inclusive a falência. Contudo a empresa pode recorrer a uma recuperação judicial, uma espécie de UTI na tentativa de salvar o empreendimento que não consegue mais pagar suas dívidas. Mas, geralmente pode não dar certo e levar direto a falência, fechando as portas de vez.

Gonçalves

Foi o que aconteceu com a rede de Supermercado Gonçalves em Rondônia, administrada pelo empresário José Gonçalves e seus filhos. A Gronopan – uma indústria de alimentos, com mais de 300 funcionários, produzia bolos, massas e outros alimentos industrializados que era comercializados nas lojas do grupo, sob o comando de Júnior Gonçalves, hoje chefe da Casa Civil no governo do coronel Marcos Rocha. Finalmente, saiu do controle, deu errado.

Competência

O estado de Rondônia, ao que parece, apresenta uma situação fiscal consideravelmente boa, vem se destacando no cenário nacional como uma das economias mais pujantes da região Norte – tendo o agronegócio como carro-chefe. Na contramão de outros estados Brasileiro, que vem enfrentando serias dificuldades para equilibrar suas contas.

Danos

Porém, na falta de articulação política, comprometimento, responsabilidade, dedicação e decisões assertivas, as chances de enfrentar problemas graves no futuro aumentam consideravelmente, gerando uma série de danos irreversíveis a população, inclusive na economia – tudo isso, cabe uma reflexão.

Insolvência

Muito embora, nossa cultura não permita a possibilidade de “falência” de um ente federativo. Imaginem vocês se isso levasse à insolvência do estado de Rondônia. O que isso significaria, objetivamente? Não iria desaparecer. Simplesmente, seria incorporado aos Estado do Amazonas e/ou Mato Grosso. Nem posso imaginar como seria. Fazer os rondonienses substituírem seu simpático sotaque pelo “amazonês”, parecido com o sotaque carioca? Nem pensar… Brincadeiras à parte, é inimaginável para nossa cultura admitir a extinção de um ente federado. Sendo assim, o que fazer? Estamos de olho governador.

*Edilson Neves é Jornalista e Editor do  jornal Correio de Notícias de Rondônia



DEIXE SEU COMENTÁRIO
Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião do site CORREIO DE NOTÍCIAS DE RONDÔNIA. Todos os mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

avatar
3 Comment threads
2 Thread replies
0 Followers
 
Most reacted comment
Hottest comment thread
4 Comment authors
Oseias silvaJoão RodriguesCliciaEDUARDO Palhares Recent comment authors
newest oldest most voted
EDUARDO Palhares
Visitante
EDUARDO Palhares

O (des)governo de Junior Gonçalves está apenas no início. Sofreremos muito mais. Marcos Rocha é uma farsa. Foi catapultado ao poder no oba oba da onda Bolsonaro, mas não há dúvidas que é incompetente.

João Rodrigues
Visitante
João Rodrigues

Na minha opinião ainda nem começou. Todos sabem que existe uma grande diferença entre governar uma empresa privada e ser gestor público.

Oseias silva
Visitante
Oseias silva

Faço das suas as minhas palavras Eduardo

Clicia
Visitante
Clicia

O governo atual, de fato precisa mostrar a que veio, até agora só “banho-maria”; para isso tem que selecionar melhor seus assessores. O potencial de Rondônia está muito acima dos gestores que ai estão.

João Rodrigues
Visitante
João Rodrigues

De duas uma ou o governador desconhece a importância da Casa Civil ou está brincando de ser governador!

PUBLICIDADE
×

Olá! Em que posso ajudar?

× Como posso ajudar?