sexta, 24 de janeiro de 2020

POLÍTICA

Bolsonaro sobre Santa Cruz: “Quem acredita na Comissão da Verdade?”

30/07/19 09:25

Chefe do Executivo afirmou que os documentos produzidos pelo colegiado não comprovam desaparecimento do pai de presidente da OAB

O presidente Jair Bolsonaro(PSL) voltou a fazer declarações a respeito do desaparecimento de Fernando Santa Cruz, pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz. O chefe do Executivo disse que os documentos da Comissão da Verdade ou os produzidos durante a ditadura não comprovariam nada sobre a morte de Fernando.

Bolsonaro duvidou da veracidade do trabalho da Comissão. “Quem aqui acredita?”, questionou jornalistas ao deixar o Palácio da Alvorada, na manhã desta terça-feira (30/07/2019). O chefe do Executivo insinuou que os integrantes do colegiado formado para apurar os crimes durante a ditadura seriam imparciais por terem sido indicados pela ex-presidente Dilma Rousseff.

“Você acredita em Comissão da Verdade? Qual foi a composição da Comissão da Verdade? Foram sete pessoas indicadas por quem? Pela Dilma [Rousseff]. Não vou discutir esse assunto”, encerrou.

A Comissão da Verdade foi um colegiado instituído pelo governo brasileiro, em 2012, para investigar as violações de direitos humanos ocorridas entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988, concentrando os esforços na ditadura militar. Foram identificados 434 casos de mortes e desaparecimentos de pessoas sob a responsabilidade do Estado brasileiro durante o período.

O presidente da OAB é filho de Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido em fevereiro de 1974 depois de ter sido preso por agentes do DOI-Codi no Rio de Janeiro. Estudante de direito, ele integrava a Ação Popular Marxista Leninista. Era funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica de São Paulo.

Bolsonaro buscou elencar crimes que, em seu entender, se equiparam aos cometidos durante a ditadura militar. “Vamos recordar um pouquinho, vamos lá. Celso Daniel [prefeito de Santo André, filiado ao PT, morto em janeiro de 2002, em Juquitiba, São Paulo]. Quem foi o advogado? Greenhalgh [ex-deputado pelo PT de São Paulo]”, relatou.

Entenda
Nessa segunda-feira (29/07/2019), ao criticar a postura da OAB em relação à investigação sobre o atentado à faca que sofreu durante a campanha eleitoral, Bolsonaro disse que, se o presidente da OAB quisesse saber como o pai dele desapareceu, ele contaria.

A declaração provocou reação em várias entidades. Felipe Santa Cruz afirmou que Bolsonaro agia com “crueldade” e adiantou que vai ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir explicações do presidente da República.

Trabalhos no Congresso
Antes de deixar o Alvorada, o presidente se reuniu com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Na ocasião, ele disse que conversou com o parlamentar sobre a reforma da Previdência, mas sem detalhar quais pautas seriam prioritárias para o governo no segundo semestre de trabalho da Câmara dos Deputados.

Há uma grande expectativa do mercado em relação à volta dos trabalhos no Congresso na próxima semana. Além da votação em segundo turno da reforma da Previdência, espera-se o início de uma reforma tributária, tanto no Senado, quanto na Câmara, assim como medidas provisórias que correm prazo para votação. Duas delas editadas em julho, a exemplo da que define cargos para o Departamento de Patrimônio da União (DPU) e outra com novas regras para saque do FGTS.

Há também uma expectativa em relação à medida conhecida como da liberdade econômica que vem sendo tratada como uma minirreforma trabalhista. Neste contexto, as declarações recentes de Bolsonaro são tidas no mercado como desestabilizadoras, na medida em que podem ocupar as discussões na Câmara e no Senado.

– Hugo Barreto/Metrópoles

Fonte

Hugo Barreto/Metrópoles



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