quinta, 24 de outubro de 2019

“A síndrome do cão que não quer largar o osso”

25/02/19 15:56

Edilson Neves*

Não sei se é com uma grande tristeza ou muita alegria que escrevo este artigo, uma por que ate gosto de alguns desses personagens que se aproveitaram da história de Rondônia e outra é que, em definitivo todos esses personagens estão, realmente, mais que aposentados e ultrapassados. Temos que reconhecer que na maioria deles a política corre em suas veias, mas, infelizmente, a cada dia que passa vão ficando desacreditados e cansados.

Ao longo da história os exemplos são claros. Personagens obscuros que, sem que se saiba bem como, chegaram ao poder. Talvez em momentos de crises ou quem sabe ausência de lideranças politicas os forasteiros aproveitadores rapidamente assumem posições narcisistas de “salvadores da pátria tomam o poder”.

O passo seguinte é, invariavelmente, a sua autopromoção em governantes eternos, inamovíveis ao poder. Para tal tornam-se atores, especialistas na capacidade de convencer os outros da sua imprescindibilidade.

O grande objetivo é manterem-se no poder a qualquer custo: uma, duas, três, quatro, cinco vezes, para sempre e sempre no poder. E nem pensar em delegá-lo. O clientelismo instala-se, com a prática do “eu dou-te agora, mas tu devolves-me depois”. Lealdade incondicional ou sofram as conseqüências…

O problema é que, às vezes, por comodidade ou envolvimento, começam a se enrolar cada vez mais nessa situação e perdem a noção de quando é necessário se livrar das garras do poder. No entanto existem alguns personagens que não aprenderam a ler os sinais de que algo que era para ser legal já não é mais tão bom assim e que, por isso, ele precisa largar o osso (tipo, o quanto antes).

Percebe-se que, uma das coisas mais difíceis é lidar com o poder. Muitos dizem que o poder corrompe, pode ser. Mas o poder apenas mostra como é cada pessoa. As pessoas não mudam quando ganham poder, elas apenas têm espaço de manifestar quem na realidade são. Sabemos que, todo poder mundano é passageiro. Mais, infelizmente a políticos que não querem largar as tetas, querem ficar mamando a vida toda.

Dessa Forma, quem não conhece “A teoria do Cão que não quer largar o osso”. Significa que não quer abrir mão de alguma coisa que, no mínimo é boa ou simplesmente muito boa. Pode parecer complexo, o porquê de alguém que não tem mais a representatividade desejada, mas continua querendo se fazer representativo.

Pensando nisso, comparamos a ex-deputada Federal Marinha Raupp (MDB). Há 24 anos no Congresso Nacional com promessas de servir ao bem comum e ao povo de Rondônia foi banida pelo voto popular no ultimo pleito eleitoral. No entanto, quem acreditou que estava desmamando a nutrida família Raupp, das tetas da grande vaca leiteira se enganou. Ao que parece, a família Raupp sempre defendeu seus interesses pessoais e grupais não dando nenhum valor ao bem comum. O fato é que ao longo dos anos, eles construíram muitas amizades, obsequiando milhares de amigos. Certamente, isso pode ter contribuído para garantir Marinha Raupp à simplória portaria na Diretoria Geral do Senado Federal.

Ela foi nomeada no cargo de Assessora Parlamentar SF 02, lotada no gabinete do senador Wellington Fagundes (PR/Mato Grosso), com a bagatela salarial de apenas R$ 22.943,00 mensal.

Em que pese ser um ato discricionário, tal atitude é um tapa na cara da sociedade rondoniense, uma afronta aos princípios da moralidade diante de tudo que está acontecendo no nosso País. De modo simplório que o assunto requer, sem respeitar as complexas nuances tão explícitas aos nossos olhos cabe apenas perguntar?

O que dizer aos cidadãos de bem que dá um duro danado para conseguir suportar a carga tributaria brasileira e a ausência de serviços básicos como segurança, saúde e educação? Como ficamos em um país com ato indecente como este e outros que vêm sendo praticados pelos políticos?

Largar o osso, trata-se de abrir mão de alguma coisa muito boa, isto é, não estamos falando dos laços afetivos, mas sim do que esses laços proporcionam, “dinheiro, prestigio, status social e poder”.

Pessoas assim muito apegadas a esse tipo de coisa, é comparada a um “cão que não larga o osso”, não se contenta em viver sua própria vida, quer viver a vida toda roendo alguma coisa.

Arrisco uma explicação: os emedebistas, família Raupp têm consciência do papel que estão jogando e não pretendem entregar os louros conquistados de mão beijada para ninguém. Só não sabem, ainda, como combinar o jogo com o eleitorado, que tende a derrotá-los em eleições futuras. É sempre bom lembrarmos que tudo é transitório e passageiro, tanto os relacionamentos bons como os ruins. E quando temos esta premissa clara, sofremos menos, pois nos preparamos para um dia perder e nos desapegar de algo tão bom. Nada é permanente.

Apenas o verdadeiro poder é permanente: o poder sobre si mesmo, esse sim é o único poder que você pode ter na vida – é o de controlar a si mesmo.

(Edilson Neves | Jornalista-Redator e Editor do CNR)



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