terça, 12 de novembro de 2019

ISRAEL

“É direito deles reclamar”, diz Bolsonaro sobre Palestina

01/04/19 16:16

O presidente Jair Bolsonaro analisou hoje (1ª) as reações de palestinos sobre a abertura de um escritório de negócios do Brasil em Jerusalém. “É direito deles reclamar”, disse. Bolsonaro está em Israel para uma visita oficial e ontem (31) anunciou uma nova representação comercial no país.

Após o anúncio, o Estado da Palestina chamou de volta seu embaixador no Brasil, Ibrahim Alzeben, para consultas e para estudar uma reação à medida do governo brasileiro.

Localização

A Embaixada do Brasil em Israel está localizada em Tel Aviv e há planos do governo Bolsonaro de transferi-la para Jerusalém. De acordo com Bolsonaro, essa transição deve ser feita com calma e mantendo contato com outros países.

“O que eu quero é que seja respeitada a autonomia de Israel. Se fosse hoje abrir negociações com Israel, colocaria a embaixada em Jerusalém. Agora, não quero ofender ninguém, mas queremos que respeitem nossa autonomia”, disse.

A cidade de Jerusalém está no centro de confrontos e disputas entre palestinos e israelenses, pois ambos reivindicam o local como sagrado. Para evitar o agravamento da situação, os países consideram Tel Aviv a capital administrativa de Israel, onde ficam as representações diplomáticas internacionais.

Processo

Em Brasília, o presidente da República em exercício, Hamilton Mourão, disse que a abertura de um escritório do Brasil em Jerusalém não significa seu reconhecimento como capital por parte do Brasil. “É algo que não tem nada a ver com a diplomacia. Podemos até considerar um passo intermediário naquela decisão inicial do presidente de mudar a embaixada.”

Em relação à discussão sobre a criação do Estado da Palestina de chamar seu embaixador de volta, Mourão também ponderou a reação dizendo que é um método de pressão diplomática e que, após a consulta, o embaixador deve voltar.

Muro das Lamentações: Local sagrado para os judeus, o presidente e o primeiro-ministro de Israel fizeram uma oração. Bolsonaro disse que depositou um pedido nas pedras do Muro: ‘Deus, olhe pelo Brasil’.

“Uma vez que os países árabes, e os palestinos em particular, entendam o alcance dessa decisão, que não muda nossa visão diplomática em relação à necessidade de que palestinos e israelenses tenham uma coexistência pacífica naquela região, como desde 1947 o Brasil apoia, a partir do momento que entendam que isso continua, não teremos problemas”, disse.

Muro das Lamentações

O presidente Jair Bolsonaro visitou nesta segunda-feira (1) com Benjamin Netanyahu o Muro das Lamentações em Jerusalém, tornando-se, assim, o primeiro chefe de Estado a realizar tal visita ao lado de um primeiro-ministro israelense.

A visita acontece Bolsonaro em meio a uma visita de três dias a Israel que o presidente brasileiro iniciou no domingo.

Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores de Israel disse que esta é a primeira vez que um chefe de Estado que está no poder visita o país tendo um primeiro-ministro israelense como anfitrião.

O presidente americano Donald Trump visitou o Muro em maio de 2017, mas ele foi acompanhado pelo Rabino do Muro, Shmuel Rabinovitz, e não por um líder israelense.

Durante décadas, os líderes estrangeiros se abstiveram de aparecer ao lado de um líder israelense em frente ao Muro das Lamentações, para evitar que parecessem se posicionar em questões altamente sensíveis de soberania.

Rompendo assim com a prática diplomática, Bolsonaro e Netanyahu se aproximaram do Muro sagrado em meio uma chuva fina.

De quipá na cabeça, Bolsonaro colocou as duas mãos nas pedras do muro e, com Netanyahu fazendo o mesmo do seu lado esquerdo, recolheu-se por vários segundos com a cabeça inclinada.

Bolsonaro cumpriu com a tradição de inserir nos espaços do Muro um pedaço de papel destinado à realização de um pedido.

Bolsonaro expressou seu forte apoio a Israel e mencionou uma grande vontade de cumprir uma peregrinação cristã ao rio Jordão, como empreendeu há alguns anos.

Ele também prometeu seguir os passos do presidente dos EUA, Donald Trump, e transferir a embaixada de Israel do Brasil para Jerusalém, embora isso esteja em suspenso por ora.

Falando à imprensa, Bolsonaro comentou o impasse entre a promessa e sua concretização.

“Tem o compromisso, mas meu mandato vai até 2022, ok? Está explicado? E a gente tem que fazer as coisas com calma. (…) Se eu fosse abrir negociações com Israel, botaria a nossa embaixada onde? Seria em Jerusalém. Agora, a gente não quer ofender ninguém”, afirmou.

O local, um dos mais sagrados do judaísmo, fica em Jerusalém Oriental, ocupada por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, em uma decisão que não foi reconhecida pela comunidade internacional.

O estatuto de Jerusalém é uma das questões mais difíceis do conflito israelense-palestino.

Transferir a embaixada agradaria a base de apoio cristã evangélica de Bolsonaro, mas também arriscaria a provocar retaliações comerciais por parte de estados árabes, alguns dos quais são grandes importadores de carne halal brasileira.

Em função disso, Bolsonaro apenas anunciou no domingo que seu governo vai abrir um escritório de representação comercial, tecnologia e de inovação em Jerusalém.

“Vou contar um segredo: espero que este seja o primeiro passo para a abertura, quando chegar a hora, de uma embaixada brasileira em Jerusalém”, declarou Netanyahu durante coletiva conjunta com Bolsonaro no domingo.

Netanyahu também se tornou o primeiro primeiro-ministro israelense a visitar o Brasil quando viajou para a posse de Bolsonaro em janeiro.

Em suas discussões, os dois líderes de direitista expressaram sua “irmandade” que, segundo eles, impulsionará a cooperação militar, econômica, tecnológica e agrícola entre seus países.

O anúncio do novo escritório brasileiro em Israel, no entanto, levou a Autoridade Palestina a chamar seu embaixador no Brasil para consultas.

“Esta decisão constitui uma violação dos fundamentos do direito internacional em Jerusalém Oriental”, afirmou Ammar Hijazi, vice-ministro das Relações Exteriores da Palestina.

Os palestinos congelaram os laços com a Casa Branca depois que Trump anunciou a mudança e declarou a capital de Jerusalém em dezembro de 2017.

Sob a presidência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil reconheceu a Palestina como um estado em 2010.

Já em 1975, durante a ditadura militar, reconheceu a Organização de Libertação da Palestina (OLP) como movimento de libertação nacional, conforme recorda o portal do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Em 1993, o governo brasileiro também autorizou a abertura de uma Delegação Especial Palestina em Brasília e, em 1998, equiparou seu status ao de uma embaixada.

Agência Brasil



Categorias: INTERNACIONAL


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