segunda, 18 de novembro de 2019

GERAL

Energisa acusada de praticas abusivas no mercado  de Energia Elétrica

14/10/19 09:18

Porto Velho, RO – Desde que encampou a antiga Centrais Elétricas de Rondônia (Ceron), o Grupo Energisa – tornou-se uma das maiores holding de Capital aberto do país. Atualmente, é composta por dezoito empresas, sendo treze delas de distribuição de energia elétrica, o que a torna, segundo consultores locais, o sexto maior grupo de distribuição de energia no Brasil.

Rondônia está entre seus mais de seis milhões de clientes espalhados pelo país. Em Porto Velho, uma grande leva desses usuários não alimenta uma boa impressão sobre a atuação que assumiu um passivo de cerca de R$ 2 bilhões na compra da antiga CERON e de  seus mais de 967 funcionários com algumas supostas pendências nos tribunais regionais.

O grupo, igualmente, de acordo com uma fonte da empresa, ‘atua na Amazônia e no resto do país na geração e comercialização de energia a partir de sua sede na cidade de Cataguases, em Minas Gerais’, onde está instalada o maior Centro de Inteligência Contra Fraudes de Energia da empresa com ramificações, sobretudo nos estados do Nordeste e da Região Norte.

Segundo a mesma fonte – que pediu anonimato -, desde 1905, com a criação da Companhia Força e Luz Cataguases – Leopoldina (CCFCL), atualmente, conhecida como Grupo Energisa Minas Gerais, os fundadores José Monteiro Junqueira, João Duarte Ferreira e Norberto Custódio Ferreira, ‘sempre teria praticado tarifas um pouco acima da média do padrão nacional por virem investindo pesado no desenvolvimento elétrico brasileiro a partir das grandes capitais’.

No caso específico de Rondônia, ‘essa atuação passaria pelo fim de um sistema considerado empírico e atrasado para os padrões da empresa que já nivelaria sua política praticada no sul do país e de olho na distribuição e comercialização de energia  para vizinhos estrangeiros’,entre eles, Bolívia e Peru.

O interlocutor cooptado junto a um dos escritórios da empresa nesta Capital e entre os cerca de 967 funcionários da antiga CERON, revelou, no entanto, que ‘partiria do Centro de Inteligência Contra Fraudes, em Minas Gerais, o recrutamento de supostos controladores de órgãos de governo para fazer frente ao furto de energia elétrica’. Inclusive com acompanhamento das denúncias por policiais – como na triste época dos ‘Capitães do Mato que caçavam  negros fugitivos das Senzalas mineiras.

O combate às instalações de ‘jampers (gatos), não importaria a condição social apresentada pelos clientes da empresa, ‘a ordem é fazer cumprir as determinações do grupo, cuja repressão ao furto de energia elétrica deve ser motivo de abertura de processos judiciais’. Segundo a fonte, ‘nada melhor do que a empresa está amparada junto às autoridades em cada ponto de distribuição’.

É grande e até um certo ponto considerado capcioso o histórico da atuação repressiva em suposto conluio com a Policia e órgãos de controle utilizados, conjuntamente, pelo Grupo Energisa. Em Rondônia e na periferia da Capital em Porto Velho, ‘medidores são arrancados, a fiação é suprimida e os clientes acusados de furto de energia elétrica, seriam autuados e levados à Delegacia’, revelam a fonte.

Desde que encampou a antiga CERON e ELETROACRE, em agoto do ano passado (2018), os clientes dessa empresa passaram a ter o fornecimento encerrado a menos de 30 dias de suas pendências. E alguns casos, sem terem sido notificados num espaço de 15 dias, quando, o estabelecido pela ANEEL seria de 90 dias, caso o cliente  não quite as contas em atraso.

Em igual situação se encontram consumidores que, mesmo com o fornecimento suspenso, as leituras nos medidores desativados continua sendo feita pela empresa. ‘E com aumento no consumo, comprado no mês anterior’, denuncia a doméstica Sônia Maria, 56, que se diz portadora de câncer e se enquadraria no Cadastro Único da Tarifa Social da ANEEL, mas, ignorada pela Energisa.

Denúncias nesse sentido possibilitaram a abertura simultânea de duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPI) no Acre e em Rondônia. Deputados estaduais acreanos e rondonienses trocam informações no sentido de que ‘possíveis irregularidades sejam transformadas em ações judiciais em desfavor da empresa’.

O Grupo Energisa, no mínimo, segundo interlocutores acreanos e rondonienses, ‘ terá que saldar dívidas assumidas com o passivo da Eletroacre e Ceron’. Para o governo de Rondônia, a conta beira R$ 2 bilhões. Na ocasião, foi lembrado o contrato de parceria de cooperação técnica com a Polícia Civil no valor de R$ 704 mil com a Polícia Civil e Ipem-RO cuja transferência de dinheiro para aquisição de equipamentos e acessórios de medição.

Os dois contratos firmados pelo Grupo Energisa foram condenados pelos deputados integrantes da CPI, em Rondônia, que descobriram, igualmente, que, ‘nenhuma das 3.381 reclamatórias registradas no PROCON-RO em desfavor da empresa foram encaminhadas à Promotoria de Defesa do Consumidor do Ministério Público Estadual (MPE), na pessoa da Promotora de Justiça, Daniela Nicolai.

De acordo com a fonte anônima dentro do Grupo Energisa que decidiu contactar o CORREIO DE NOTICIA, por sua condição de liderança entre urbanitários,‘a empresa, à cada dia, se transforma numa prestadora de serviços temida por transitar com muita desenvoltura nos meios policiais, órgãos de controle terrivelmente ameaçadora por, supostamente, ostentar uma banca de advogados contratados a peso de ouro, causando medo e tensão a clientela nativa’.

Ao tentar impor sua própria marca fazendo uso de Policiais Civis em meio a consumidores na Amazônia ocidental Brasileira, segundo urbanitários demitidos no processo de aquisição da antiga Ceron pelo Grupo Energisa, ‘o grupo mineiro tenta unificar padrões de consumo do Sul e do Sudeste aos da região’. Para eles, uma medida desnecessária porque a empresa recorreu ao dinheiro público (contratos com o BNDES) e compra energia mais barata e limpa das usinas locais.

Enfim, o Grupo Energisa, segundo os interlocutores que facilitaram a entrada do CORREIO DE NOTÍCIA nos bastidores da empresa mineira, ‘788 municípios brasileiros, com mais de seis milhões de consumidores, são tratados de forma rude e opressiva pelo grupo presidido pelo empresário conservador Ivan Botelho’, completaram as fontes.

Fonte

da Redação/CNR



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