quarta, 20 de novembro de 2019

CPI

Teria a Energisa relacionamento espúrio com órgãos do governo?

10/10/19 15:16

A CPI da Energisa, conduzida com seriedade pelo deputado Alex Redano (PRB), trouxe à tona informações que não estavam escondidas debaixo do tapete, mas que tinham sido divulgadas somente no Diário Oficial do Estado, algo que pouquíssimas pessoas leem. A Energisa tem termo de cooperação técnica de R$ 704 mil por ano com a Polícia Civil e de R$ 1 milhão com o Ipem. E há 3 mil reclamações paradas no Procon. Por uma inexplicável razão o Procon não se mexe contra a empresa.

Quanto à Polícia Civil, não adianta dizer que o termo de cooperação é legal. O que está se falando não é de legalidade. A Polícia vai lá na casa do consumidor, que passa por um tremendo vexame, e faz uma ocorrência. Os policiais civis não têm capacidade técnica para identificar “gato”. Isso é trabalho da Politec.

Acontece que circula na Internet uma fotografia de policiais civis juntos com funcionários da Energisa, que mexem em um medidor de consumo. Quero crer que tal foto não tenha sido tirada em Rondônia, porque nela não aparece nenhum técnico. São vistos somente dois policiais civis e dois funcionários da Energisa.

A CPI precisa verificar direito como acontecem as idas da Polícia Civil à residência dos consumidores, pois com base nisso inquéritos podem até ser anulados. É necessário verificar se a foto foi tirada ou não em Rondônia. Não pega bem um organismo receber recursos de uma empresa que o aciona constantemente, contra consumidores de baixa renda. Aos olhos dos leigos, de quem não tem formação nem informação para entender, fica parecendo uma espécie de parceria. E, infelizmente, não há tanta gente esclarecida no Brasil.

O Ipem recebe ou pode receber até R$ 1 milhão da Energisa. Para quem não sabe, é esse o órgão que está dizendo que os relógios levados para lá pela Energisa estão adulterados. O deputado Jair Montes (PTC) tinha ido ao Ipem, e lhe informaram que existe o equipamento para verificar os relógios, e também pessoal qualificado para a inspeção. Só não informaram ao parlamentar se foi a Energisa quem comprou o equipamento, e também não disseram quem treinou o pessoal que faz a inspeção.

Tem coisa que as pessoas em geral não sabem. Uma das denúncias contra a Energisa é que os medidores de consumo estariam sendo adulterados antes de serem colocados nas residências. Se isso é mesmo feito, como pode ser feito? Existem lacres no relógio. Com os equipamentos necessários é possível esquentar o plástico e retirar o fio que compõe o lacre. O último deles protege a parte onde está a regulagem. Aberta a engrenagem, é só afrouxar mecanismos semelhantes a parafusos, para que o medidor trabalhe rapidamente, para que números saltem como doidos. Isso sendo feito, a conta viria lá em cima.

Não dá para dizer que a Energisa faz isso, mas conhecimento técnico para isso a empresa tem. Com base nisso fica a dúvida sobre como o equipamento para aferir os relógios chegaram no Ipem. Foi a Energisa que entregou? Como há suspeita de que a empresa pode ter mexido em regulagem de relógios, quem garante que não mexeu no equipamento que verifica os relógios? É possível verificar se o Ipem tem ou não a isenção necessária para dizer que a Energisa tem razão.

Quer dizer que a Energisa repassa recursos para a Polícia Civil, que abre os inquéritos. Quer dizer que a Energisa repassa recursos para o Ipem, e o instituto diz que de fato os relógios enviados para lá pela empresa estão adulterados. E quem dizer que o Procon não faz coisa alguma contra a concessionária? Ela é boazinha, por acaso?

Socorro, governador. Socorro. Conheço Marcos Rocha, sei que ele é um homem sério e que vem desenvolvendo um bom trabalho à frente do Executivo. Dia desses, em uma situação envolvendo ação de alguns policiais e órgãos de fiscalização, onde produtores rurais foram maltratados, o deputado Ismael Crispin (PSB) disse que era preciso colocar ordem no galinheiro. Ele recebeu algumas críticas, mas tinha toda a razão.

Eu não tenho lastro suficiente para me apropriar do mesmo termo tão bem empregado por Ismael Crispin, mas faço um pedido. Governador, coloque ordem na casa. A população confia no senhor, e o povo em geral olha com desconfiança para essas cooperações da Energisa com instituições do Governo. Daqui a pouco os sem formação e desinformados vão começar a dizer que a conta de consumo vem caríssima porque a concessionária de energia é caridosa, e assim repassa recursos para diversas instituições, mas esse dinheiro precisa sair de algum lugar. É capaz de alguns pensarem que é arrancado do nosso bolso.

Gente da imprensa, que recebe dinheiro da Energisa, se apressa em dizer que apenas uma pequena parte do valor cobrado na conta fica com a concessionária, e que o restante vai para geração, impostos, etc. Pessoas cultas dirão que trata-se de prosopopeia para acalentar bovinos. Os incultos dirão simplesmente que é conversa para boi dormir. É o relógio instalado pela Energisa que define o valor da conta, e é nele que reside a suspeita de adulteração.

Governador, por favor, nos ajude.

Fonte

Autor Edilson Neves



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