sexta, 18 de outubro de 2019

polícia

Assassino da professora Joselita é condenado a 35 anos de prisão

20/09/19 09:51

Sentença foi lida na 2ª Vara do Tribunal do Júri em Porto Velho na noite desta quinta-feira (19). Crime ocorreu em março deste ano.

Depois de cerca de 12 horas de julgamento, Ueliton Aparecido da Silva foi condenado a 35 anos e seis de prisão na noite desta quinta-feira (19). A sentença terminou de ser lida na 2ª Vara do Tribunal do Júri por volta de 20h50. O regime é inicialmente fechado.

Após a reunião do Conselho de Sentença, ficou decidido que o réu, de 35 anos, seria condenado pelo assassinato da educadora Joselita Félix, então de 47 anos, e pela tentativa de homicídio contra o pai dela, Francisco Félix, de 74 anos.

O defensor público que representa o réu informou que vai recorrer da decisão. Após saber da sentença, Ueliton retornou à penitenciária, onde seguirá cumprindo a pena.

Ueliton Aparecido foi condenado por:

Homicídio contra a educadora, com as qualificadoras: motivo torpe (recurso que dificultou a defesa da vítima e na presença de ascendente), meio cruel e feminicídio (considerando violência doméstica e familiar).

Público acompanha leitura da sentença de Ueliton Aparecido. — Foto: TJ-RO/Divulgação

Tentativa de homicídio contra o pai de Joselita, com as qualificadoras: motivo torpe (recurso que dificultou a defesa da vítima) e meio cruel.

O corpo de jurados foi formado por sete pessoas – três homens e quatro mulheres. Ao todo, seis testemunhas foram ouvidas. Entre elas o pai da professora, um policial militar e a mãe do acusado, Maria Silva, de 70 anos.

Em resumo:

8h55: Sorteio dos jurados. São 4 mulheres e 3 homens.
9h06: Início dos depoimentos das testemunhas. O pai da Joselita e vítima de tentativa de homicídio, Francisco Félix, de 74 anos, foi o primeiro a falar.

11h20: Começa o interrogatório de Ueliton. Durante o depoimento, o réu chorou e disse “senhores jurados, me julguem por feminicídio, não por motivo cruel”. Terminou às 12h53. Ou seja, foi ouvido por mais de uma hora e meia.

13h53: Retomada do julgamento com fase de debates entre acusação e defesa. O primeiro a falar por uma hora e meia foi o promotor Marcelo Lincoln Guidio. Depois, o defensor público Paulo Eduardo Lima.

Por volta das 16h: Início da réplica e da tréplica. Acusação e defesa falaram, cada uma, por uma hora.

20h51: Termina o julgamento. Ueliton é sentenciado a 35 anos e seis meses de reclusão.

‘Lobo em pele de cordeiro’

O pai da Joselita chegou ao plenário em uma cadeira de rodas. O idoso também foi atacado pelo réu no dia do crime, quando tentou defender a filha. “Ueliton era um lobo em pele de cordeiro”, disse Francisco.

A segunda testemunha chamada no plenário foi um policial militar que atendeu a ocorrência. Ao júri, o PM descreveu detalhes sobre o local do assassinato. “Em 33 anos de polícia foi a pior cena que vi na minha história de policial”, relatou.

Depois das testemunhas de acusação falarem no Fórum, Ueliton pediu para trocar de roupa, tendo o pedido aceito pelo juiz.

Em meio ao debate entre acusação e defesa, o defensor público Paulo Eduardo Lima alegou que trata-se de um crime passional e que o mais viável seria “fazer a leitura técnica” do caso. “É preciso respeitar um laudo. A razão, o racional precisa prevalecer”, explicou no julgamento.

Ele ainda reforçou que o réu agiu em legítima defesa, ressaltando que as lesões no corpo de Joselita são oriundas de luta corporal.

Defensor Público Paulo Henrique Lima durante debate em julgamento. — Foto: TJ-RO/Divulgação

Já o promotor de acusação Marcelo Lincoln Guidio reforçou o porquê do motivo torpe. “Ninguém é de ninguém. Claramente foi por motivo torpe, por ciúmes”, alegou.

“Joselita morreu pelo ciúme de Ueliton, que achava que podia controlá-la. Não há dúvidas de que o réu foi o responsável pelo crime”, disse o promotor.

Em paralelo às afirmações feitas pela acusação, Ueliton fazia sinal negativo com a cabeça discordando do promotor e afirmou, em dado momento, que “isso tudo é só laudo. Não há provas”.

As famílias
O G1 também ouviu as famílias de Joselita e Ueliton. No intervalo para o almoço, Francisco Félix disse que o réu merecia a condenação de feminicídio e tentativa de homicídio. A família contou que a mãe da educadora não sabe que a educadora foi morta por conta do estado de saúde dela. O crime completou seis meses.

“Quero que ele pague pelo que fez a mim e pegue mais uns 30 anos de cadeia pela morte da minha filha. Ela, uma mulher linda, se envolver com ele”, alegou Francisco.

Hoje em dia, o idoso sofre de síndrome do pânico por conta do crime contra a família. Ele também relembrou o que aconteceu no dia do assassinato que ocorreu na casa dele. O imóvel já foi vendido.

“Ele [Ueliton] me pegou forte pelo braço, me puxou e me machucou. Quando botei sangue pela boca que ele me largou no mato na frente de casa. Depois foi atrás de minha filha. Eu só lembro de quando cheguei no João Paulo II. Daí, não lembro mais”, explicou.

O irmão da educadora, Josué Félix, 47, desejou que a Justiça fosse feita.

“Queremos ficar com o caminho livre para recomeçar”
Já mãe de Ueliton afirmou ao G1 que vai “fazer de tudo para tirar o filho da cadeia”. Maria Silva disse acreditar que o filho seja mesmo condenado pelo júri. Porém, ela não quer deixá-lo preso e prometeu fazer de tudo para soltá-lo da prisão.

Ela ainda afirmou que o suspeito teria ido na casa da Joselita, no dia do crime, para fazer as pazes. “Foi um fiasco a Joselita se envolver com meu filho [Ueliton]. Ela brigava com ele. Ele tinha ido na casa, em Candeias, para fazer as pazes”, contou.

Ainda em entrevista, a mãe do acusado alegou que não tem raiva de Joselita e que sempre ajudou a educadora. “Comprei várias coisas pra ela quando morava com meu filho”, afirmou. Maria informou também não saber o que pode ter acontecido no dia do crime para o filho cometer o feminicídio.

Aglomeração
Desde o início da manhã, dezenas de pessoas se aglomeraram nos corredores do Fórum para garantir vaga dentro do plenário. Pelo menos 70 pessoas acompanharam a sessão.

Assim que iniciou o julgamento, a sessão do júri foi interrompida para a troca de plenário, pois o espaço não comportou a quantidade de público presente.

Porém o sistema de gravação audiovisual do plenário grande não funcionou e o grupo foi novamente remanejado à sala pequena.

Durante os debates, o juiz da causa, José Gonçalves da Silva Filho, solicitou que o público fizesse silêncio para não atrapalhar o andamento dos trabalhos.

Feminicídio

Joselita foi morta pelo ex-marido em março, em Candeias do Jamari, após ter a casa invadida por Ueliton Aparecido Silva, em Candeias do Jamari. O ex-marido foi preso logo depois do crime.

Pai de Joselita Félix acompanhou júri do caso da filha, em Porto Velho. — Foto: Mayara Subtil/G1

O pai da educadora, Francisco Félix, estava em casa e presenciou o ataque. O idoso tentou salvar a filha e segurar o suspeito, mas também foi atacado a pauladas. Ele ficou internado e, dias depois, recebeu alta e foi informado da morte da filha.

Em audiência de instrução em maio deste ano, Ueliton foi interrogado e confessou ter matado Joselita. Porém, negou que tenha sido a pauladas. Disse que a empurrou para se defender e que a educadora teria caído e batido a cabeça. O réu alegou “legítima defesa”, após ter sido supostamente “agredido por Joselita e pelo pai da vítima ao mesmo tempo”.

Ueliton foi acusado pelo Ministério Público de Rondônia (MP-RO) de tentativa de homicídio e feminicídio. A vítima e o acusado ficaram juntos cerca de 3 anos.

De acordo com a denúncia, o acusado primeiro arrombou a porta da residência e, com uma faca, desferiu golpes contra o idoso. Depois, pegou um pedaço de madeira usado para fechar a porta e agrediu inúmeras vezes a professora, que morreu em seguida.

A Lei nº 13.104, conhecida como a Lei do Feminicídio, foi sancionada em março de 2015 pela então presidente Dilma Rousseff. Ela incluiu o crime no Código Penal Brasileiro como uma modalidade de homicídio qualificado, entrando, assim, na lista de crimes hediondos.

A justificativa para a necessidade de uma lei específica aos crimes relacionados ao gênero feminino está no fato de grande parte dos assassinatos de mulheres nos últimos anos serem cometidos dentro da própria casa das vítimas, muitas vezes por companheiros ou ex-companheiros.

Sala de aula
Aos 47 anos, Joselita era servidora municipal de Porto Velho, mas atualmente morava em Candeias do Jamari para cuidar dos pais, um casal de idosos.

Joselita Félix era graduada em Pedagogia pela Universidade Federal de Rondônia desde 1992 e também tinha bacharel em Direito pela Faculdade de Ciências Humanas, Exatas e Letras de Rondônia (2007).

Fonte: G1 RO

Fonte

G1/RO



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