sábado, 17 de agosto de 2019

Candeias:

Assentamento Flor do Amazonas recebe curso sobre Boas Práticas de Manejo do Café

12/06/19 09:38

Nesta quinta (13) e sexta-feira (14), pelo menos 25 agricultores familiares do assentamento Flor do Amazonas, em Candeias do Jamari, participam do curso Boas Práticas de Manejo do Café. O curso é destinado a produtores que já trabalham ou desejam trabalhar com a cultura, com foco prático na produção cafeeira, desde o plantio até a comercialização do produto.

A atividade é uma ação do projeto Semeando Sustentabilidade, executado pelo Centro de Estudos Rioterra, patrocinado Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental, que tem, entre seus objetivos, fortalecer os agricultores familiares e suas associações para acesso a mercados.

Coordenador de Educação do CES Rioterra, o biólogo Alexandre Queiroz explica, ainda, que questões como adubação e correção do solo para o plantio das espécies serão apresentadas, levando em consideração as características daquela região. “Falaremos sobre as principais espécies da região e qual café melhor se adapta para aquela área”, completa.

Irrigação, condução e tratos culturais também estão entre os temas a serem trabalhados nestes dois dias, trazendo um panorama da produção de café em Rondônia e no mundo, métodos de secagem, formação de lavouras, entre outros. Também serão abordadas práticas agroecológicas que funcionam como alternativas aos pesticidas convencionais para evitar as pragas mais comuns na cafeicultura.

Haverá visita a uma propriedade rural modelo como parte da programação, onde os agricultores poderão ver de perto as boas práticas que auxiliam do desenvolvimento da produção.

O início do período de estiagem na Amazônia – o conhecido verão amazônico – se aproxima e, além da redução das chuvas, já é possível notar a presença de fuligem oriunda das queimadas em algumas regiões do estado. A incidência da prática nas zonas rural, urbana e áreas florestais aumenta nesse período do ano devido a seca e, associada a ela, está a emissão de dióxido de carbono (CO2) que, além de contribuir para o efeito estufa e mudanças climáticas, polui o ar e prejudica a saúde da população. A poluição do ar é, inclusive, tema de discussão do Dia Mundial do Meio Ambiente deste ano, comemorado no dia 5 de junho.

Para se ter uma dimensão dessa incidência de queimada, dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) mostram que, só no primeiro semestre de 2018, foram mais de 15 mil detecções de queima de vegetação no país, sendo 41% deles no bioma Amazônia. Rondônia registra anualmente altos índices de queimadas relacionadas à atividade no campo, figurando, historicamente, entre os estados mais emitem carbono por conta disso.

Na agricultura acaba sendo uma alternativa de renovação de pastagem de baixo custo, limpeza de área, entre outros fins, explica a doutora em Geografia e coordenadora de Geotecnologias do Centro de Estudos Rioterra, Fabiana Gomes, entretanto a médio e longo prazo não traz benefícios a atividade produtiva e, tampouco, ao planeta. “Quando se queima, se gera alguns nutrientes, mas se ele não for usado adequadamente, na primeira chuva vai embora, e as pessoas acham que queimar vem como uma resposta a curto prazo, mas e depois?”, questiona a pesquisadora.

Para a prática, o agricultor deve se atentar a legislação vigente, que inclui autorização da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Ambiental (Sedam) e seguir as orientações de segurança do órgão, além de comunicar proprietários vizinhos.

Ela cita que em algumas regiões do estado, a partir da prática da queimada, a utilização do solo para diversas culturas da região pode ficar comprometida e, em poucos anos, a produção começa a perder força, as plantas não se desenvolvem bem, sendo necessário recuperar os solos dessa área, o que pode significar um alto custo ao agricultor.

Na agricultura familiar, uma das alternativas à queimada é a implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs), incentivada por meio das atividades de Educação e Extensão Rural dentro do Semeando Sustentabilidade – executado pelo CES Rioterra, com  patrocínio da Petrobras através do Programa Petrobras Socioambiental – junto aos agricultores, que permite manter um fluxo de produção e renda constante na propriedade, além de preservar a mata natural e/ou restabelecer áreas degradadas.

A Educação é um importante eixo trabalhado pelo projeto. Uma vez que o agricultor familiar começa a conhecer que existem diferentes formas de gerir a propriedade e produzir, compreende que a questão da mata ciliar é importante para o ciclo da água, por exemplo, para produção de chuvas. “E assim, a prática da queimada vai sendo naturalmente eliminada”, reforça a pesquisadora, completando que a Educação vem exatamente com a missão de mostrar alternativas para as mais diversas questões dentro da agricultura familiar, com soluções agroecológicas de baixo custo, diversificação da produção e a implantação das SAFs, que promovem ganhos econômicos, sociais e ambientais.

Outra preocupação é quanto às queimadas florestais, que emitem uma quantidade de CO2 maior do que o desmatamento pelo corte, explica Fabiana. “Quando você tira a madeira, emite parte daquele carbono que está ali estocado em sua biomassa. Entretanto, a madeira guarda parte do carbono que será convertido, por exemplo em um móvel e não será emitido. Pelo menos não enquanto o móvel existir. Agora quando você queima, praticamente 100% do carbono é emitido, pois toda biomassa é perdida”, exemplifica.

Pesquisa recente revela que as emissões de carbono por incêndios florestais, durante secas extremas, estão superando as emissões associadas ao processo de desmatamento na Amazônia. “Incêndios florestais durante anos de seca, sozinhos, contribuem com emissões anuais equivalentes a um bilhão de toneladas de CO2 para atmosfera, que correspondem a mais da metade das emissões associadas ao desmatamento”, explica o pesquisador Luiz Arago, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), principal autor do artigo publicado.

Agosto e setembro são os meses em que a população mais sofre com essa emissão, seja por queimadas florestais, rurais ou urbanas, estabelecendo uma nuvem de fumaça nos centros urbanos, rodovias e no campo, e os efeitos são sentidos na saúde, na segurança nas estradas e na perda de biodiversidade. “A pessoa pensa: ‘vou queimar o meu lixo aqui’, mas o vizinho também pensa o mesmo e, quando vê, a fumaça toma conta do ar da cidade. Imagine contabilizarmos o quanto a gente queima só nesses meses e o quanto de carbono é emitido”, alerta Fabiana.

Ainda dentro dessa perspectiva, o projeto Semeando Sustenatbilidade é executado há 10 anos e visa também o sequestro dessas emissões por meio da recuperação de áreas degradadas e implementação de SAFs, numa forma de equilibrar a balança. Para além disso, estão os ganhos de outros serviços ambientais, uma vez que o ciclo de carbono passa pela água, pela floresta e pelo ar. Tudo está interligado, reforça a especialista.

O projeto é realizado nos municípios de Porto Velho, Candeias do Jamari, Itapuã do Oeste, Rio Crespo e Cujubim. Desde sua implantação, já produziu e distribuiu mais de 1 milhão de mudas de diversas espécies em Rondônia, o suficiente para recuperar mais de 900 hectares de áreas degradadas e/ou alteradas.

Em dados gerais, o plantio dessas espécies resulta em mais de 52.344.000 toneladas de dióxido de carbono removidos da atmosfera, contribuindo de forma efetiva para a conservação da biodiversidade, sequestro e fixação de carbono e mitigação dos gases do efeito estufa. Desse total, mais de 350 hectares foram recuperados diretamente pelo CES Rioterra, especialmente em Áreas de Proteção Permanente (APP).

Pegada de carbono

Uma ferramenta interessante lançada pelo CES Rioterra para entender os impactos individuais no meio ambiente é calculadora de pegada de carbono, que permite calcular as emissões de uma pessoa no dia a dia e mostra como contribuir para a mitigação de gases de efeito estufa. Clique aqui e calcule.



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